O que me fez ter vontade de me aprofundar mais sobre esse assunto foi a questão dos refugiados e como eu sou ouvinte de podcasts que me agregam algo, eu ouvi o Podcast Projeto Humanos sobre o Coração do Mundo , que trata de storytellers, ou seja, pessoas que tiveram vivência de um fato histórico falando à partir da visão de mundo delas. Eu ouvi relatos de um Mariner, de uma muçulmana, de um repórter, de dois refugiados sírios... E isso me fez despertar sobre a real situação desse país e esse livro de 23 páginas caiu como uma luva... Vamos a resenha.
A conversa de que futebol, religião e política não se discutem é falaciosa, é kantiniana em querer reservar o que é público a esfera privada e etc, mas no mundo oriental, a palavra religião nem sequer tem algum tipo de tradução forte, porque não se conhecem esse termo, até porque é muito comum trazer isso para o público. O Ocidente crê que é um termo sagrado, um livro de regras, ele simplifica isso, já no Oriente, não há nem direito essa palavra.
A Primavera Árabe que surgiu em meados de 2010 foi um conjunto de revoltas da população no mundo árabe onde haviam ditadores de 30 anos acima no poder do país. Na Síria, isso não ocorreu bem, causando a maior guerra civil do século XXI, deixando cidades devastadas, abrigos com falta de comida e saneamento e um enorme número de refugiados. A guerra fez gente que tinha emprego, negócios, trabalhos etc fugirem. Quando eu vi a entrevista de um refugiado, eu vi que ele não se parecia em nada com o estereótipo que eu tinha de um muçulmano e ouvi sobre a vida dele e ele era uma pessoa que tinha vida da Síria não muito diferente da minha ou da sua.
O Livro fala do surgimento do Islamismo pelo seu profeta Muhammad, do surgimento das maiores doutrinas que são as Sunitas e Xiitas. Engana-se quem olha para os estereótipos e pensa que só é um tipo de pensamento. Como no Cristianismo que se divide em Católicos e dentro do catolicismo temos suas ordens, e Protestantes que dentro do protestantismo tem suas vertentes, no Judaísmo também temos judaísmos, no Islamismo não seria diferente.
Os sucessores de Muhammad são Califas que são responsáveis pela liderança dos demais. Os Xiitas são seguidores de Ali, que era genro do seu profeta e os que não reconheciam Ali são os Sunitas. As divisões se deram por discordância de quem deveria ser o líder do Islã. Os sunitas possuem uma vasta obra sobre sua história e dentro do xiismo surgem os Alauítas. Eles, por serem um grupo menor, tinham pouco privilégio porque permitiam que suas mulheres não usassem véu, os homens podiam beber... Tinham poucos privilégios. E para terem privilégios, começaram a entrar na política após a independência da Síria.
A coisa estourou quando o exército de Bashar fez um massacre na população que estava revoltada por prisão de jovens que estavam pichando. Os alauítas fazem parte do exército de Bashar mais por conta de defesa pessoal. Cristãos nessa região pegaram em armas para protegerem suas casas e famílias, além do perigo do Estado Islâmico.
Sei que pouco estudo pode ser realizado no local por causa da falta de segurança e riscos de sequestros, mas recomendo aos que querem ler esse livro, vocês encontram o PDF gratuito no site do Bibotalk e escutem o podcast Projeto Humanos. Ele é muito bom!!!!

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